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O desafio...

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Brasil tem poucas espécies de corais, mas um terço delas difere de quaisquer outras do planeta

May 16th, 2008 by Timóteo | 1

da: Fundação O Boticário

Edição 64

Projeto apoiado pela Fundação O Boticário realiza primeira iniciativa nacional para recuperação de comunidades de corais. As ações são desenvolvidas em Abrolhos, no sul da Bahia, onde estão os recifes mais bem conservados do país.

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Mussismilia braziliensis, espécie de coral que ocorre apenas no Brasil.

O Brasil apresenta os únicos recifes de coral do Atlântico Sul. Essas comunidades ocorrem desde o Maranhão até a Bahia, estendendo-se por cerca de três mil quilômetros da costa brasileira. A fauna de corais do Brasil, apesar de pouco diversa, se comparada a outras regiões do mundo, apresenta espécies raras.

“Há 15 espécies de corais verdadeiros (que formam recifes) no Brasil, das quais cinco são endêmicas, ou seja, não ocorrem em nenhuma outra parte do mundo. Três das espécies exclusivas do país pertencem ao gênero Mussismilia e são as principais construtoras dos recifes brasileiros”, diz o biólogo Clóvis Castro, especialista em corais do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Os corais são animais marinhos do grupo dos cnidários, que possuem esqueleto calcário ou córneo. Os mais conhecidos são os que formam os recifes de coral, vivendo associados às algas da família Zooxanthellae. Essas algas vivem dentro dos corais, são protegidas por eles e realizam fotossíntese utilizando o gás carbônico que eles fornecem. Em troca, os corais recebem das Zooxanthellae oxigênio para a respiração, alimento e auxílio na formação de seu esqueleto calcário.

Os recifes de coral são formações criadas pela ação de comunidades de corais, algas calcárias e diversos organismos. Ocorrem em águas rasas, quentes e claras dos trópicos. Eles são um dos ambientes mais ricos e frágeis do planeta, que abrigam e protegem grande número de animais e plantas marinhas.

Apesar de sua riqueza biológica, um quinto dos coloridos recifes de coral já foi destruído devido ao impacto da ação humana, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). A principal causa da degradação é a alteração no equilíbrio dos ambientes marinhos, como a pesca excessiva, a poluição, a agricultura, a devastação de florestas litorâneas e as mudanças climáticas do planeta.

No Brasil, a situação não é muito diferente. “No Nordeste brasileiro, praticamente não há mais recifes de coral”, afirma Castro. Ele explica que o Brasil passou por diferentes etapas de degradação de seus corais. No século 18, ocorria a extração direta de blocos de recifes para construção de fortes, igrejas e residências. Depois entre meados dos séculos 19 e 20, a predação passou a ser mais direcionada: arrancavam-se somente os corais dos recifes para retirar o carbonato e, dele, extrair a cal.

A pressão sobre os corais aumentou a partir de meados do século 20. A urbanização da orla marítima cresceu, o que ocasionou maior poluição dos mares, pelo despejo de esgoto, resíduos industriais e agrícolas. “Outro agravante foi a intensificação do desmatamento, que fez com que mais sedimentos fossem carregados pelos rios e levados aos mares”, diz Castro. A sedimentação bloqueia a entrada da luz do sol e dificulta a fotossíntese das algas que vivem associadas aos corais.

Proteger para lutar contra as mudanças climáticas
A degradação do ambiente marinho dificulta a adaptação dos corais a situações diversas, como as causadas pelas mudanças climáticas. “O aquecimento global aumenta a temperatura dos oceanos, o que causa distúrbios na relação de simbiose entre as algas Zooxanthellae e o coral. A alga – responsável pela coloração do coral – ou morre ou é expelida, deixando transparecer o esqueleto branco do coral”, explica o líder do Programa Marinho da The Nature Conservancy (TNC) para a América do Sul, Anthony Chatwin. Esse fenômeno é conhecido como branqueamento de coral.

O branqueamento já foi observado em recifes de regiões distantes milhares de quilômetros umas das outras, como na costa da Austrália e no oceano Índico, sendo um indício da influência das mudanças no clima e do aumento da temperatura dos oceanos sobre os corais. Segundo a IUCN, metade dos corais existentes está ameaçada de destruição por causa do impacto das mudanças climáticas, caso nada seja feito para conter o aumento da temperatura do planeta, decorrente, em boa parte, da emissão de gás carbônico e de outros poluentes na atmosfera.

Os recifes de coral terão uma chance maior de voltar após o branqueamento e se adaptar ao aumento das temperaturas marinhas se as demais condições do ambiente foram propícias. Por isso, para evitar uma mortandade ainda maior de corais devido às alterações no clima global, é necessário prevenir as outras formas de degradação dos mares.

Chatwin ressalta que é necessário fazer estudos do uso da terra na zona costeira para controlar as fontes de erosão e diminuir a quantidade de sedimentos enviada ao mar, além de delimitar níveis adequados para a exploração pesqueira, pois a sobrepesca também mina o complexo equilíbrio da vida marinha. “Os mangues, que freqüentemente estão próximos aos corais, também devem ser protegidos, pois servem como um berçário protetor para peixes jovens e fonte de nutrientes para corais”, diz o líder do Programa Marinho da TNC para a América do Sul .

Também é preciso estimular condutas responsáveis de turistas que visitam recifes de coral. “Deve-se ter cuidado ao lançar as âncoras das embarcações e os turistas não devem pisotear os recifes e nem se apoiar neles quando estiverem mergulhando”, lembra Castro.

Recuperação de comunidades coralíneas
Os recifes que já foram bastante danificados têm dificuldade para se recuperar sozinhos. Parte desses animais realiza fecundação externa, ou seja, liberam gametas masculinos e femininos na água, onde ocorre a fecundação. “Como há pouco coral no ambiente, não há gameta suficiente para fazer a fertilização no mar”, explica Castro.

Para auxiliar a recuperação dos corais, Castro e uma equipe de pesquisadores do Projeto Coral Vivo desenvolveram uma técnica de fertilização artificial. Eles conseguiram reproduzir coral em cativeiro e produzir larvas. Com o apoio da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, em 2005, o Projeto Coral Vivo iniciou pesquisa para otimizar a obtenção de larvas e soltá-las no mar para recuperar comunidades de corais.

O complexo de Abrolhos, no sul da Bahia, foi escolhido para o desenvolvimento do projeto, pois ali estão os recifes mais bem conservados do país. Além da variedade de espécies encontradas no lugar, a abundância facilita o recolhimento de amostras para estudo, sem causar impactos ambientais.

Os resultados do projeto serão avaliados em abril de 2007. Se a experiência for bem sucedida, os pesquisadores devem partir para o repovoamento de recifes brasileiros mais danificados.

1 comentário on “Brasil tem poucas espécies de corais, mas um terço delas difere de quaisquer outras do planeta”


  1. Luiza Cristina Macedo Silva said:

    Boa Tarde,
    preciso de muita ajuda para fazer minha monografia que será apresentada no dia 6 de setembro.
    Meu tema é Corais.
    Será que tem como os senhores me ajudar, me mandando dados importantes e se der uma monografia feita por alguém dai.
    Serei muito grata

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