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O desafio...

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Cuidado com os Recifes!

May 16th, 2008 by Timóteo | 0

de: Fundação O Boticário

Edição 91

Dez anos atrás, centenas de organizações em vários países se mobilizaram frente a grave situação em que os recifes de coral se encontravam. Como a necessidade de divulgar o tema ainda é forte, 2008 foi definido como o segundo Ano Internacional dos Recifes de Coral.

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Os Recifes de Coral abrigam um em cada quatro espécies marinhas e mais de 60% dos peixes.

Em 1997, a Iniciativa Internacional para Conservação dos Recifes de Coral (ICRI) decretou aquele como o primeiro Ano Internacional dos Recifes de Coral. Uma década se passou e, apesar das conquistas e avanços, ainda há muito a ser feito pelos ambientes recifais em todo o mundo. Por isso, em 2008, novamente, governos e organizações não-governamentais se mobilizam em campanhas e iniciativas neste segundo Ano Internacional dos Recifes de Coral.

A ICRI surgiu em 1994 durante a Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP). Sua atuação está focada na conservação dos recifes de coral e ecossistemas associados, como mangues e banco de algas, por meio da implementação do capítulo 17 da Agenda 21, que trata da proteção dos oceanos e mares. O Brasil aderiu formalmente à iniciativa durante a COP-8 de 2006, realizada em Curitiba (PR). “É importante estarmos juntos nessa grande iniciativa, trabalhar com os outros países e organizações. Assim, contribuímos para configurar um mapa mundial de recifes, pois nosso projeto de monitoramento inclui os dados brasileiros na rede”, diz a coordenadora do Núcleo da Zona Costeira e Marinha do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ana Paula Leite Prates.

Para este ano, estão programados vários eventos internacionais como a 9ª Conferência das Partes da Convenção da Biodiversidade, na Alemanha, e o 11º Simpósio Internacional sobre os Recifes de Coral, nos Estados Unidos, entre outros. No Brasil, destacam-se o 4º Simpósio de Áreas Protegidas, em Canela (RS), onde será feita uma apresentação sobre a proteção das áreas marinhas brasileiras, e o 3º Congresso Brasileiro de Oceanografia/Congresso Ibero-Americano de Oceanografia, em Fortaleza (CE).

Além disso, a Secretaria de Biodiversidade e Florestas do MMA montou uma exposição sobre os recifes de coral brasileiros que circulará por vários eventos durante o ano. Entre eles está o Viva Mata, realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica, que apresentará iniciativas para conservação da Mata Atlântica. O evento ocorrerá de 30 de maio a 1º de junho, em São Paulo, e contará com a presença da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza no estande temático sobre conservação de áreas naturais.

Fonte de vida
Os recifes são formações biogênicas, ou seja, formado por organismos vivos, resultado da deposição dos esqueletos de vários seres, sendo os corais os mais representativos. Esse é considerado o ecossistema marinho mais rico em biodiversidade, sendo comparado às florestas tropicais terrestres. Cerca de 25% das espécies marinhas vivem em recifes, incluindo 65% dos peixes. Devido a essa característica, eles são uma fonte de renda fundamental para milhares de pessoas. “Os recifes geram uma economia de muitos milhões de dólares em várias partes do mundo, geralmente em países pouco desenvolvidos”, afirma o biólogo especialista em corais, Clóvis Castro.

Os recifes podem ser encontrados em regiões tropicais ao redor do globo. As características de luminosidade, temperatura e salinidade dessas áreas são fundamentais para manter o equilíbrio da simbiose entre o coral e as algas unicelulares Zooxanthelae. Essa “parceria” é a responsável pelo colorido dos recifes, pois o tecido do coral é transparente; a coloração se deve às algas que se abrigam neles.

No Brasil, os recifes se encontram na costa do Nordeste, com algumas formações isoladas no Ceará e continuamente entre o Rio Grande do Norte e o Sul da Bahia, abrangendo três mil quilômetros de extensão. “A nossa responsabilidade é muito grande porque temos os únicos recifes do Atlântico Sul. E os recifes brasileiros são únicos tanto pela formação como por algumas espécies serem endêmicas”, afirma a bióloga marinha e coordenadora do Programa de Monitoramento dos Recifes de Coral Brasileiros, Beatrice Padovani Ferreira.

Apesar de sua importância, esses ambientes vêm sendo degradados em todo mundo, particularmente no Brasil, por meio das atividades humanas como a pesca excessiva e predatória, a coleta de corais, o turismo desordenado e o mau uso do solo. “Além do desmatamento, que provoca a erosão, também tem o efeito da poluição agrícola das lavouras e das áreas urbanas. Os recifes mais ameaçados são aqueles próximos a grandes centros populacionais e o Brasil tem uma densidade populacional muito elevada na costa. Onde tem mais gente, tem mais uso”, afirma Ferreira.

As mudanças climáticas também têm forte impacto sobre essas formações. O aumento de temperatura pode ocasionar desequilíbrio na simbiose entre a Zooxanthelae e o coral, ocorrendo assim o branqueamento. Tal fenômeno já foi observado em inúmeros países, mas no Brasil a conseqüência não foi tão grave. “Isso vem sendo causa de mortalidade em massa dos corais em várias partes do mundo, mas aqui ainda não aconteceu. Já houve fenômenos de estresse que levaram os corais ao branqueamento, mas recuperaram a coloração e não morreram. Se isso vai mudar ou não, ainda temos que esperar”, explica Castro.

Cuidados essenciais
Segundo Ferreira, desde o primeiro Ano Internacional dos Recifes, muitos avanços pela conservação dos corais aconteceram. “Hoje temos uma lei mais apropriada, a criação de unidades de conservação avançou, foram elaboradas e mapeadas áreas prioritárias”, conta. A produção de conhecimento também foi um ponto que evoluiu muito nos últimos dez anos. “A falta de informação sobre os recifes brasileiros era grande. Existia uma consciência menor da extensão, da relevância e da significância deles. Isso ainda não está resolvido, mas já melhorou bastante. Hoje temos um vasto material sobre o assunto em português”, completa.

Entretanto, ainda existem muitos problemas a serem resolvidos, como a falta de fiscalização e de verba adequadas. “Apesar de ter sido criado um Programa Nacional de Monitoramento dos Recifes de Coral, ele ainda está longe do ideal pela escassez dos recursos”, afirma Ferreira.

Em 2005, o Projeto Coral Vivo recebeu o apoio a Fundação O Boticário. O objetivo principal era realizar pesquisas para recuperar recifes degradados, por meio da produção em cativeiro de larvas e sua soltura no mar. Atualmente, a iniciativa atua em várias frentes como produção de conhecimento e educação ambiental, além das pesquisas originais, para estimular a conservação do que já existe.

Estamos trabalhando muito na produção de conhecimento para gestão de unidades de conservação. Fizemos um mapeamento tridimensional dos recifes para saber onde tem mais coral e, a partir disso, em conjunto com a Secretaria de Meio Ambiente de Porto Seguro, fazer programas de monitoramento e uso”, explica Castro, que também é coordenador do projeto. Ele conta que o projeto já capacitou mais de cem agentes de turismo na região e que o próximo público são as escolas: “Estamos preparando a capacitação de professores de ensino fundamental da rede pública, já temos mais de 200 inscritos.

Para saber mais sobre os corais brasileiros, leia a matéria Brasil tem poucas espécies de corais, mas um terço delas difere de quaisquer outras do planeta.

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